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Carpe Diem: A Arte de Viver o Agora

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Tornei-me minha própria crítica positiva, uma estrela que brilha no firmamento das minhas incertezas. Cansei de seguir o coro que ridiculariza meus erros e silencia os acertos que bordam minha história! Hoje, sou meu porto seguro, uma fortaleza erguida com suor e resiliência. Descobri em mim a mais fiel aliada, e cada passo na minha árdua jornada é uma vitória celebrada com gratidão e orgulho, como um oásis no deserto do descaso. Creio firmemente na recompensa que me espera no horizonte, pintado com as cores da esperança e da persistência. Meu esforço, silencioso e constante, será reconhecido, e meu currículo, enriquecido pela luta e determinação, brilhará como testemunho de coragem e tenacidade! A vida, percebo agora, é muito mais que um lamento contínuo. É um campo fértil onde se plantam sonhos, e eu, jardineira das minhas próprias esperanças, decidi contemplar a paisagem, onde quer que esteja, enxergando beleza na caminhada, não importando a estação. Independentemente dos caminhos q...

Conto | Réveillon, por Jeane Tertuliano

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A escrita nunca fluiu facilmente para Susana. Ela tinha metas, ansiava por ser uma grande autora de romances góticos, no entanto, sua criatividade parecia estar estritamente limitada a conceber narrativas breves. Certa vez, uma amiga do ramo havia mencionado a necessidade de viver grandes aventuras para criar histórias assustadoramente convincentes, reais aos olhos do leitor sagaz. Su nunca levou a sério tal afirmação, não até aquele instante... Talvez, e somente talvez, aquela teoria fosse verídica, logo, ela estaria perdendo tempo ao esperar o grande dia no qual a inspiração finalmente viria. Vasculhando o seu antigo diário, Susana buscava inutilmente por ideias de como vivenciar um acontecimento grandioso, pois quando criança, a sua mente era mais fértil no que diz respeito ao inusitado. Nada encontrou, o que a deixou ainda mais frustrada. Como iria se enveredar por aí sozinha? Sem namorado, tampouco amigos, receava estar impossibilitada de seguir adiante com o suposto cronograma li...

Conto | Sexta-feira 13, por Jeane Tertuliano

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Uma garota não deveria nutrir tanto apreço pelo obscuro, afinal, o que se esperava de uma miúda gentil, era justamente o oposto. Lindsay falava pouco, mas observava tudo. Pequenina feito um botão de rosa, era vista frequentemente chorosa por sentir as dores do mundo que apenas ela parecia ser capaz de compreender. Quem diria que aquela criatura submersa em timidez cresceria e aprenderia a falar a língua incongruente do mal? Há quem ouse afirmar que Lind foi beijada pelo anjo da morte após perder seus pais num terrível acidente de carro. Até dizem que a sua pele adquiriu uma lividez mórbida depois do ocorrido. Apaixonada pelos clássicos do terror, a jovem colecionava livros de teor hediondo. Ninguém em sã consciência leria aquelas narrativas malditas. Lindsay, era uma moça peculiar e a estranheza que revestia os seus gestos na infância parecia determinada a permanecer intrincada à sua essência. Isolada num casebre apartado da vizinhança, não demorou muito para que a perversidade adentra...

Poema | O amor não se faz mudo, por Jeane Tertuliano

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  Ninguém poderia imaginar que um inimigo em comum viria a nos afrontar. Covardemente, ele adoeceu os nossos corpos e mentes; matando e aniquilando o futuro de tanta gente. O Pandemônio engolfou as nações e os corações desesperançados, isto é fato. Contudo, o amor não se faz mudo. Em tempos de desarmonia, carecemos de exercer empatia e abraçarmos uns aos outros, ainda que de longe, usando palavras de conforto que privem o nosso povo da estridente agonia que é temer a infindável e impiedosa pandemia.

Prosa Poética | O Espelho, por Jeane Tertuliano

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A existência é uma flama. Já concebeu a possibilidade de o agora ser o grand finale da sua vida? Eu aposto que não. A práxis moderna consiste irrevogavelmente em experienciar com gana o regalo do presente em vez de contemplar calma e conscientemente a seriedade intrincada na liquidez da nossa brevidade. O que você enxerga / sente ao demorar-se defronte o espelho, encarando a si mesmo enquanto transborda na pequenez da imagem frivolamente refletida? Para o ser humano, é tipicamente difícil exercer autoanálise, e, até certo ponto, é compreensível. A crueza da realidade tende a ser uma faca de dois gumes àqueles que há muito vêm se negando a lidar com a lógica existencial. Uma vida repleta de quimeras não renderá bons frutos a ninguém. Permitir que a ilusão o faça de joguete é uma das piores coisas que um indivíduo pode cogitar fazer. Feche os olhos e mergulhe sem hesitar na escuridão por detrás das tuas pálpebras, não se acanhe! Adentre o âmago e se achegue à essência, desnuda. Entre as...

Prosa Poética | Sobre Transcender, por Jeane Tertuliano

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Desde miúda (não é que eu haja crescido muito desde então), lembro-me de questionar incessantemente minha querida mãe acerca do porquê da vida e tudo que nela há. É claro que a genitora, sendo mãe da minha pessoa, dava corda; divagava comigo horas a fio, instigando mais e mais o meu anseio pelo saber. Ainda que eu fosse deveras risonha, por vezes, vislumbrei a melancolia achegar-se sorrateiramente a mim, e mesmo quando eu tentei ignorá-la, a danada persistiu em obscurecer o meu sorriso, fazendo com que eu mergulhasse em reflexões sem pé nem cabeça, com o intuito de desviar-me do meu real objetivo. Houve um tempo no qual fui acometida por demasiado infortúnio, do tipo que faz a pessoa desacreditar nas coisas boas do mundo. Eu até sinto o meu semblante encolher frente o assombro causado pelos fragmentos das vis lembranças... É penoso mencionar que cheguei a estagnar as minhas buscas, renegando a mim mesma ao abdicar da plenitude que eu estivera tão perto de experienciar. Fez-se necessári...

Prosa Poética | Ranzinza aos vinte e cinco anos, por Jeane Tertuliano

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Percebi que estava ficando velha somente quando comecei a utilizar a frase "no meu tempo" em minhas falas. Nunca pude imaginar que estaria tão ranzinza aos vinte e cinco anos de idade, no entanto, cá estou e, achando pouco, o universo arruinou a minha visão para intensificar ainda mais a minha fatídica condição. Há algum tempo que já não consigo tolerar os berros e os cabulosos choramingos das crianças, e nem irei me demorar mencionando os infames adolescentes com os seus hormônios efervescentes. Definitivamente, não sei se um dia hei de ansiar por a maternidade, aderi à solitude por tempo demais para que eu possa cogitar a voltar atrás. Toda a gente parece afetar a minha saúde mental, não posso afirmar que a minha intolerância seja normal, entretanto, eu a compreendo, porque as pessoas são desagradáveis a maior parte do tempo. Talvez eu esteja demasiado acostumada a ficar sozinha. Não é à toa que prefiro infinitamente o gozo pungente de haver me tornado íntima da pesarosa me...